Ás vezes é preciso recolher-se.
O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta.
A ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se á beira dessa águas.
Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir.
É um começo de sabedoria .. e dói!
Dói controlar o pensamento.
Dói abafar o sentimento.
Além de ser doloroso, parece pobre, triste e sem sentido.
Amar era tão infinitamente melhor.
Curtir quem hoje se ausenta era tão intensamente mais rico.
Não queremos escutar essa lição de vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador.
Mas, ás vezes, aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada, é só o que nos resta.
Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar.
Quem nos vê, nos julga alheios.
Quem já não nos escuta, pensa que emudecemos para sempre.
E a gente mesmo desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz.
Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda, há de saber que se nossa essência é ambiguidade e mutação,e este silêncio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe um dia, os seus acenos.
(Lia Luft)

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